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POESIA - V

por oligofrénico, em 30.04.07

Sou um evadido.

Logo que nasci

Fecharam-me em mim,

Ah, mas eu fugi.

 

Se a gente se cansa

Do mesmo lugar,

Do mesmo ser

Por que não se cansar?

 

Minha alma procura-me

Mas eu ando a monte,

Oxalá que ela nunca m encontre.

 

Ser um é cadeia,

Ser eu não é ser.

Viverei fugindo

Mas vivo a valer.

 

Fernando Pessoa

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publicado às 15:47

CAOS

por oligofrénico, em 29.04.07

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publicado às 11:28

SALAZAR - II

por oligofrénico, em 29.04.07
"É sempre e em tudo um contabilista, mas só um contabilista. Quando vê que o país sofre, troca as rubricas e abre novas contas. Quando sente que o país se queixa, faz um estorno. A conta fica certa. O Prof. Salazar é um contabilista. A profissão é eminentemente necessária e digna. Não é, porém, profissão que tenha implícita directivas. Um país tem que governar-se com contabilidade, não pode governar-se por contabilidade. Assistimos à cesarização de um contabilista." Fernando Pessoa (texto posterior a 1933)

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publicado às 11:09

SALAZAR - I

por oligofrénico, em 28.04.07

"Inteligente sem maleabilidade, religioso sem espiritualidade, ascético sem misticismo, este homem é de facto um produto duma fusão de estreitezas: a alma campestremente sórdida do camponês de Santa Comba só se alargou em pequenez pela educação do seminário, por todo o inumanismo livresco de Coimbra, pela especialização rígida do seu destino desejado de professor de Finanças. É um materialista católico (há muitos), um ateunato que respeita a Virgem.

Para governar um país como chefe, falta-lhe, além das qualidades próprias que fazem directamente um chefe, a qualidade primordial - a imaginação. Ele sabe talvez prever, ele não sabe imaginar. Ele mesmo mostrou desdém por aquilo a que chamou "os sonhadores nostálgicos do abatimento e da decadência" (discurso de Salazar de 21-11-1935). A frase não é clara; e as suas frases, sempre nítidas, raramente são claras. Não se sabe se os sonhadores nostálgicos sonham com abatimento e decadência, ou se são os sonhadores que vivem em abatimento e decadência que sonham nostalgicamente não se sabe muito bem de quê. Retenhamos o essencial - o tom e o estilo da frase, cuja aplicação política escapou aliás a todos." Fernando Pessoa (1935)

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publicado às 15:58

UTOPIA

por oligofrénico, em 27.04.07

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publicado às 18:47

POESIA - IV

por oligofrénico, em 27.04.07

Conselho

 

Sê paciente; espera

que a palavra amadureça

e se desprenda como um fruto

ao passar o vento que a mereça.

 

Eugénio de Andrade

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publicado às 18:27

25 de Abril

por oligofrénico, em 27.04.07

O 25 de Abril foi o que tinha de ser. Tirou Portugal das trevas e da solidão, enchendo de esperança (quase) todos os portugueses. É inquietante que a maioria dos jovens de hoje desconheça as suas razões e a sua essência. Esta e outras ignorâncias impedem-nos de ir mais além. São os reflexos silenciosos do nosso sistema de ensino.

Mais importante que a Revolução, foi a Utopia que se criou. Uma Utopia que idealizava um progresso, alicerçado na liberdade, na igualdade, na justiça, na cultura, na imaginação e na criatividade. Esta Utopia que ainda persiste nalguns espíritos (bons), perdeu-se às mãos tenebrosas das classes política e empresarial, que nos empurraram para modelos sociais esgotados, à sombra duma (falsa) democracia. Criaram um mundo onde não apetece viver, onde as perspectivas de desenvolvimento individual são quase nulas e onde as desigualdades são cada vez mais marcantes.

O reacender desta Utopia devia ser um desígnio nacional.

 

M. Orlando

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publicado às 18:08

AVEIRO - III

por oligofrénico, em 24.04.07

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publicado às 23:47

A EDUCAÇÃO DE PORTUGAL - II

por oligofrénico, em 24.04.07

Há cerca de quatro meses, algures numa Escola Básica do Norte do país, um aluno atirou uma faca contra uma professora. Na sequência desta situação, um representante da Confederação Nacional das Associações de Pais e Encarregados de Educação, em entrevista à TSF, reprovou aquela atitude, mas achava que se devia averiguar dos motivos que levaram a criança a reagir daquela forma. Dizia ele, que era possível que o comportamento da professora, poderia ter justificado aquela reacção.

Significa isto, muito objectivamente que, na ideia daquele sujeito, poderia haver uma qualquer razão (ou mais), que justificasse aquele acto. Nada mais certo! Um professor "incomoda" um aluno e sujeita-se, de imediato, a receber o respectivo correctivo. Pelos vistos com o aval daquela Confederação.

Isto é perfeitamente inconcebível, mas expressa bem o que muitos Encarregados de Educação pensam (mas não ousam dizer), acerca do fenómeno da violência sobre os professores.

Manda a experiência e o bom senso que, nestas situações, se aplique a "tolerância zero": responsabilização imediata e firme dos prevaricadores e respectivos Encarregados de educação, de forma a cortar cerce, qualquer tipo de violência física.

Infelizmente, muitos psicólogos, pais e educadores, não têm a coragem, a vontade ou a lucidez, para perceber o seguinte: a tolerância só tem razão de existir num "contexto civilizacional" (que já contém problemática social). Em contextos de violência física e psicológica, não há lugar para qualquer tipo de tolerância - não se pode pactuar com a barbárie! Não nos podemos esquecer, que estamos a tratar da formação de futuros cidadãos responsáveis! e da preservação equilíbrio mental e emocional de todos os agentes educativos!

Pessoas ou instituições, que não reflictam sobre estas questões, duma forma abrangente, profunda e multidisciplinar, não fazem nenhuma falta ao sistema de ensino português.

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publicado às 20:11

POESIA - III

por oligofrénico, em 22.04.07

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

 

O Tejo tem grandes navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,

A memória das naus.

 

O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.

Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai

E donde ele vem.

E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

 

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Nunca ninguém pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.

 

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

 

Alberto Caeiro

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publicado às 16:18

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